sexta-feira, 27 de maio de 2016

Atrizes da série “O Negócio” contam como é abordar o tema prostituição na TV

No ar na HBO, a terceira temporada de O Negócio trouxe uma reviravolta na vida de Karin, Luna e Magali. As três mulheres, que vêm aplicando estratégias de marketing para revolucionar o mundo da prostituição ganharam a companhia de Mia, vivida pela gaúcha Aline Jones.


Donna entrevistou Juliana, que interpreta Luna, e Aline sobre a forma como a prostituição é tratada na série, assim como a relação do público – tanto feminino quanto masculino – com a temática e as personagens vividas por elas.

A série chega consolidada nesta nova temporada. Qual o segredo para tratar de um tema tabu, como prostituição, de uma maneira natural, com a qual o público parece se identificar?

Aline Jones: Creio que o segredo é justamente tratar a prostituição como uma profissão normal. Os roteiristas não enfatizam nenhuma questão comum ou clichê relacionada a profissão. A prostituição está no argumento, mas não é o centro dos problemas das personagens.

Juliana Schalch: Desde o início, a ideia para a abordagem era que essas personagens fossem como garotas comuns, chiques e que encontramos sempre. Sem imaginarmos que poderiam ter essa profissão. Além disso, existe o fato de terem escolhido ser garotas de programa sem serem vítimas de alguma circunstância.

Como é o retorno do público feminino?

Aline: Incrível, elas comentam no Instagram, Facebook… mandam mensagens particulares dizendo que se sentem como a Mia, ou que gostariam de ter a coragem que a Mia teve para fazer mudanças nas suas vidas. Nossos principais fã-clubes são gerenciados por mulheres, mostrando a identificação e admiração que elas tem com as protagonistas.

Juliana: O público feminino adora. Assiste com seus parceiros e torce pelas meninas. Acho que existe uma identificação pela leveza do tema, sensualidade e inteligência do roteiro.

E como é a abordagem dos fãs homens?

Aline: Percebi que tem muitos homens casados que assistem com suas esposas. Isso é bem legal porque o casal vem conversar com você! Mas tem de tudo, teve um menino que pediu dicas para ser bom de cama!? (Risos!) Tudo é muito novo mas estou me divertindo!

Juliana: Muitos assistem com suas mulheres e têm muito respeito quando nos abordam para falar sobre a série.


As personagens que vocês interpretam mexem com as nossas fantasias: são mulheres empoderadas, sedutoras, com um figurino sexy. O quanto elas mexem com vocês, com sua autoestima e relação com o corpo?

Aline: Quando eu voltei para casa depois das gravações em São Paulo, queria queimar meu guarda-roupa e comprar tudo novo (risos!) Elas mexem com as minhas fantasias, mas como tive a oportunidade de viver a Mia, então sei o que é demorar 2h todos os dias para maquiar e arrumar cabelo! Também sei que andar com um salto incrível durante o dia todo pode te trazer um belo mal humor! Ou seja, ser o estereotipo de uma “super mulher” tem um preço que cada uma precisa saber até quanto quer pagar. Eu ainda estou descobrindo minha potência feminina e o que de fato deve influenciar minha autoestima! É um eterna negociação consigo mesma.

Juliana: Aprendi muito com a Luna em relação a essa desenvoltura que ela tem, à autoestima e à segurança. Acho que ela me estimulou a me reinventar, a ser mais criativa, a pensar nesse tema com maior tranquilidade, sem tabus.

Fonte: http://revistadonna.clicrbs.com.br/

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