quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Prostitutas e garçons aprendem inglês de olho na Copa de 2014


A Aprosmig (Associação das Prostitutas de Minas Gerais) pretende qualificar cerca de 30 garotas de programa em Belo Horizonte para receber os turistas estrangeiros durante o mundial de 2014 com o inglês na ponta da língua. "Havia mais garotas interessadas nas aulas do que vagas disponíveis", afirma Cida Vieira, presidente da Aprosmig.

 
“Welcome everybody to Bahia!", diz com orgulho o garçom Jurandir Marques a frase que, após um mês e meio de estudo, já consegue dizer em inglês. Aos 44 anos de idade, ele afirma que as primeiras aulas "foram difíceis", mas a persistência compensou. "Eu comecei do zero, nunca tinha estudado inglês na vida. Só cursei até o terceiro ano ginasial".
O curso, puxado – quatro horas por dia, cinco dias por semana -- termina nesta sexta-feira (21). "O importante é que não vou passar vergonha. Se encontrar um americano pela frente, já consigo conversar, perguntar de onde ele é, explicar o cardápio", comemora Marques.
O garçom é um dentre os quase 115 mil brasileiros que devem aprender inglês ou espanhol até o fim do ano que vem para receber os turistas estrangeiros no país até o início da Copa do Mundo de 2014. Este número inclui apenas o número de vagas oferecidas pelo Pronatec Copa, programa de qualificação profissional de trabalhadores para a Copa do Mundo de 2014 oferecido pelo Ministério do Turismo; e pelo programa Taxista Nota 10, que pretende ensinar inglês ou espanhol para 80 mil taxistas até 2014.
Instituições independentes, como sindicatos e associações profissionais, também oferecem cursos de inglês e espanhol para seus integrantes de olho no grande fluxo de estrangeiros esperado durante a competição futebolística.
 
Garotas de programa
É o caso da Aprosmig (Associação das Prostitutas de Minas Gerais), que pretende qualificar cerca de 30 garotas de programa em Belo Horizonte para receber os turistas estrangeiros durante o mundial de 2014 com o inglês na ponta da língua. "Havia mais garotas interessadas nas aulas do que vagas disponíveis", afirma Cida Vieira, presidente da Aprosmig.
"É tudo parte de um esforço não só pra gente promover a indústria do sexo e aproveitar as oportunidades com a chegada de estrangeiros na cidade, mas também para que a gente seja respeitada", afirma Cida. "Quanto mais nos capacitamos, maior o diálogo que a gente estabelece com a sociedade e, assim, ajudamos a diminuir o preconceito", completa.
A Aprosmig fechou parceria com uma instituição de Belo Horizonte para o curso, que ocorre ao longo do primeiro semestre de 2013.
 
Acarajé
"A minha profissão pede que eu consiga me comunicar com estrangeiros e a Copa vai ser a maior vitrine, deve vir gente do mundo todo", diz Jacilene Monteiro, coordenadora da ABAM (Associação das Baianas do Acarajé), entidade com 20 anos de idade que conta com cerca de três mil vendedoras de acarajé afiliadas na Bahia. "Até hoje eu só estudei inglês por uma semana e vi que levo jeito, tenho capacidade de aprender. Mas nesse cursinho de uma semana aprendi só o básico, bom dia, boa tarde essas coisas", afirma Jacilene.
Em Salvador, cerca de 200 baianas vendedoras de acarajé devem aprender inglês por um semestre até o final de 2013. "O acarajé é um dos principais pratos do Brasil e ele não existe sem a baiana. Imagina se a gente fica de fora?", questiona Jacilene.
 
Taxistas preocupam
De acordo com uma pesquisa divulgada pela SPTuris (São Paulo Turismo) neste ano, 71% dos taxistas da capital paulista falam somente o português, e apenas 14% possuem algum domínio da língua inglesa. Situação semelhante se repete nas outras 11 cidades-sede da Copa de 2014.
Para tentar remediar esta situação, uma parceria entre Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Sest (Serviço Social de Transporte) e Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) criou o projeto Taxista Nota 10, que pretende ensinar inglês ou espanhol para 80 mil motoristas até 2014.
O curso de idiomas do programa é oferecido à distância. O aluno ganha livro textos, um caderno de atividades e um CD. Depois de três meses, uma prova é feita presencialmente para averiguar o aprendizado.
 
Iniciativa própria
"Sempre senti muita falta de saber falar inglês não só no trabalho, mas na vida inteira", conta o taxista Felipe Karmam, de 32 anos, que vive e trabalha em São Paulo. "Com essa história de Copa do Mundo, resolvi que era uma boa desculpa para começar a aprender", explica o taxista. Karmam se matriculou por conta própria em um curso de inglês no começo de 2012, e acredita que até a Copa de 2014 será possível se comunicar bem em inglês com passageiros estrangeiros.
Apenas em Salvador, o Ministério do Turismo investe R$ 1 milhão para ensinar inglês a 1.020 taxistas. As aulas devem começar em março de 2013. De acordo com o órgão, até o final deste ano 6,5 mil profissionais concluirão cursos de inglês ou espanhol financiados pelo Pronatec Copa. Até o final de 2013, o programa pretende ensinar inglês ou espanhol para mais 30 mil trabalhadores.

Fonte: Tribuna Hoje

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