sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Mensagem de suposta universitária contaminada com vírus HIV provoca pânico em Ouro Preto

Depois de depoimento de aluna da UFOP com aids, aumentou pedido de testes de HIV e Ouro Preto

Uma mensagem anônima de uma suposta aluna da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) que teria sido contaminada pelo vírus do HIV em festas de repúblicas na cidade despertou pânico na comunidade acadêmica e provocou uma correria aos laboratórios para realização de exames.

A mensagem foi deixada em um grupo do Facebook em que estudantes fazem postagens sem se identificar. Porém, também viralizou no WhatsApp e a história correu por toda a cidade. Em função da repercussão, a Secretaria de Saúde do município reforçou a cota de exames realizados pela rede pública e antecipou a campanha de combate ao HIV, que será realizada neste sábado (24).


A mensagem que causou toda a comoção foi postada no último dia 18 no grupo anônimo da comunidade universitária de Ouro Preto conhecido como Spotted Ufop. No texto, uma suposta aluna conta que ao chegar à universidade terminou o namoro e foi morar em uma república particular.

"Passei a transar com muitos caras, mais de dez por semana. Transava com todos os caras que eu pegava, usei camisinha apenas algumas vezes. Na quarta-feira me ligaram do laboratório em que fiz o exame de HIV e me pediram para repetir. Recebi a confirmação: sou soropositiva. Não faço ideia de quem me passou nem para quantas pessoas eu possa ter transmitido. Ninguém sabe, nem minha família, estou em desespero e acho que não devo falar com ninguém porque logo todo mundo vai espalhar", diz o texto.



Apesar do relato, a mensagem possivelmente é falsa, já que algumas pessoas da cidade a receberam também em grupos de WhatsApp. Porém, nesse caso, em vez de uma mulher, é um homem que conta a mesma história. Sendo boato ou não, o fato serviu de alerta para os estudantes e o número de procura pelo teste de HIV aumentou 1.250% no centro de saúde que fica dentro do campus. Se a média de procura pelo exame era de quatro pessoas por semana, somente nesta quarta-feira dez universitários procuraram a unidade.

Demanda cresce em laboratório particular

Uma enfermeira do Centro de Saúde da Ufop conta que a repentina alta na procura a assustou.

"Nunca vi tanto menino aqui querendo fazer o teste. Eu vi esse boato também, acho que pode ser por causa disso. Teve até uma menina que veio, bem novinha, dizendo que tinha que fazer o teste porque o namorado dela mora em uma república. A acho que essa procura deve aumentar ainda mais nos próximos dias, porque vai ter umas festas na cidade, tá chegando um feriado", disse.

No laboratório particular Inconfidentes, a recepcionista do local também se assustou com um número alto de universitários à procura do teste na manhã de ontem. Como os estudantes costumam procurar diretamente o centro de saúde no campus, não é comum ver a sala de espera lotada de jovens, como a recepcionista viu ontem. "Também ouvi falar desse boato. Nunca vi tanto jovem aqui. Uns meninos novinhos, deve ser por causa disso", relatou.

Os testes que diagnosticam se o paciente é soropositivo estão disponíveis em toda a rede pública de saúde da cidade, assim como os remédios para o tratamento, que podem ser obtidos de forma gratuita pelo SUS.



Campanha de conscientização

A Secretaria Municipal de Saúde decidiu antecipar o Dia D, campanha de conscientização sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), que aconteceria no dia 1° de dezembro, para amanhã. “Realizaremos ações de conscientização sobre a prevenção de doenças como a Aids junto aos postos de saúde e também em contato com a comunidade acadêmica”, explica a secretária Sandra Brandão.

A secretária de Saúde de Ouro Preto, Sandra Brandão
Ouro Preto conta com 20 equipes que cuidam da saúde da família, e que atendem também à cidade de Mariana. Depois do boato, a Secretaria de Saúde se reuniu com os profissionais para alinhar as ações e atender a demanda crescente pelos testes de HIV.

Os universitários evitam falar sobre o assunto. Uma estudante, de 22 anos, afirma que usa camisinha. "Mas tenho uma amiga que não. Ela fala que não precisa porque tem namorado e confia nele", disse.

Outro estudante, de 24 anos, acredita que festas entre jovens regadas à álcool e drogas, onde o sexo livre é comum, acontecem em todos os lugares do mundo. “Só que aqui os jovens ficam mais concentrados, assim como essa movimentação, então é mais fácil de perceber. Na UFMG, por exemplo, acontece a mesma coisa, mas lá não há essa concentração como aqui, que é uma cidade pequena, cheia de universitários”. Ele também confessa que, como namora, não usa camisinha.

Possível boato começou entre alunos da UFOP

Números


Atualmente, em Ouro Preto e Mariana, 58 pessoas estão em tratamento por causa do HIV, sendo que destes, 11 casos surgiram somente neste ano.

Fonte: O Tempo

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