quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Cafetões de luxo revelam como funciona o mundo do book rosa

Agenciadores contam que “uma moça que coloca o rosto na TV pode receber até R$ 3 mil por hora".

Não adianta perguntar. No mundo da prostituição de alto luxo não existem nomes. Ou pelo menos, eles não devem ser revelados jamais. O segredo é a alma do negócio, e foi em nome dele que dois agenciadores do Rio toparam contar ao EGO como funciona o mundo do book rosa, a expressão que ganhou as ruas por causa da novela  "Verdades Secretas". Nele, além de modelos, figuram também atrizes iniciantes e assistentes de palco de programas de TV, como o EGO mostra na série de reportagem "Dossiê Book Rosa".

O primeiro agenciador começou no ramo por acaso. Trabalhava como motorista de um empresário e, de tanto ir buscar meninas para o patrão, acabou ficando amigo de algumas delas. Terminado seu contrato de trabalho, ele montou uma espécie de sociedade com moças do book rosa. Levava para os programas, devolvia em casa e, em alguns casos, até defendia a profissional em caso de alguma furada.
 “Já tive que tirar duas meninas das mãos de traficante. Um deles marcou encontro dizendo que queria um programa e, chegando lá, tinha mais seis caras na jogada para barbarizar. Esse dia foi complicado”, lembra ele, acrescentando que esse tipo de situação é exceção. Em geral, as complicações giram em torno do abuso de estimulante sexual e álcool.
O agente conta ainda que trabalha mais com modelos, que os nomes mais badalados do mercado e que colocam o rosto na TV ficam no book de outros três cafetões. “Elas têm medo que esse tipo de coisa vaze, e só confiam em mais uma ou duas pessoas que sabem que elas fazem book rosa”, revela.

Os termos empregados nas negociações também sofrem alterações para evitar problemas. No lugar de cachê ou programa, entra em cena o “presente”.

“Elas não dizem que recebem pagamento. Dizem que recebem um presente de A ou B. E elas sempre gostam de um bom presente”, diz ele, revelando que uma moça que coloca o rosto na TV pode receber um bom presente de até R$ 3 mil por hora. Modelos chamadas “capa de revista”, mas sem fama, costumam ganhar “presentes” de R$ 400 por hora. Mas festinhas que duram horas, e até dias, podem render até R$ 10 mil.

Agenciador
E quem tem tanto dinheiro assim para gastar com prostituição? “Empresários, jogadores de futebol e até atores tidos como galãs”, diz ele, soltando uma gargalhada ao ser perguntado pela repórter se este ultimo nicho precisa mesmo deste tipo de serviço: “Não é o que o cara é. É a fantasia. Tem certas coisas que o homem não vai fazer com sua mulher. Aí procura uma profissional.”

Jogadores de futebol caem na categoria controversa desse universo. O segundo agenciador entrevistado pelo EGO diz que não gosta de fazer negócio com os atletas porque eles costumam ser muito falastrões e acabam revelando nomes com quem já ficaram. Mas jogador de futebol é também o alvo preferido das modelos desconhecidas que fazem programa, e que sonham deixar essa vida. “Às vezes elas até deixam de fazer um programa e ganhar dinheiro para ir a uma festinha de jogador de futebol. Elas sonham com o dia com quem um deles vai olhar para elas de um jeito diferente e casar”, diz.

'Não tem glamour no book rosa'
Nosso segundo agenciador também diz que estrangeiros costumam recorrer ao Brasil para conseguir belas garotas de programas. No caso de viagem, além do cachê disparar, é pago em dólar ou euro, e vem com todas as despesas da viagem pagas pelo contratante. Sendo que 50% do valor é pago antes da viagem e o restante depois.
Apesar da altas somas de dinheiro, o agenciador faz questão de desglamourizar o mundo da prostituição pelo book rosa. “Não tem glamour. Você não pega só o cara bonito, o empresário cheiroso. Na maioria das vezes pega o ‘trash’ também, o velho babão. Elas vendem o que têm de melhor, que é a beleza delas, e que costuma durar só até os 30 anos”, diz.
Além de "prazo de validade" das moças, ele diz que o custo de manutenção de uma menina que faz book rosa é alto. “Elas gastam com academia, roupas caras, perfumes, sapatos, depilação. Algo que pode chegar em até R$ 5 mil por mês”, conta ele, garantindo que não explora ninguém. “Não mexo no cachê da menina. Acho injusto. Quando querem que eu arrume programa para ela, dizem o preço, coloco o meu valor em cima e passo para o cliente. Acho injusto tirar dinheiro delas. Muitas fazem por falta de opção mesmo”, diz.

Fonte: www.ego.globo.com

Nenhum comentário: