sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os eventos políticos movimentaram o mercado do sexo em Brasilia

Movimentação no Alfa Pub, em Brasília

Garotas de programa chegam a se deslocar de outras cidades para atender à demanda; prefeitos pagam até R$ 1 mil por um programa e R$ 500 por uma garrafa de uísque 8 anos.


A 17ª Marcha dos Prefeitos movimentou o ano passado de forma anormal não apenas os corredores do Congresso Nacional e o trânsito na Esplanada dos Ministérios. Outro círculo também se preparou para absorver a movimentação dos prefeitos que vieram do Brasil todo para o encontro. Prostitutas que fazem ponto nas boates mais conhecidas da capital federal também se prepararam para o trabalho extra. Além dos chefes dos executivos municipais, contribuem com a prosperidade do mercado de sexo nos três de dias do evento assessores e vereadores.

Desde o início da semana, muitas garotas de programa se disseram empolgadas com um crescimento do movimento. Uma delas, que trabalha há aproximadamente cinco anos e se identificou como Morgana, contou ao iG que a Marcha dos Prefeitos tem sido um dos principais eventos das profissionais do sexo. “É muita gente e sem dúvida a demanda cresce nesse período. Depois desse encontro de prefeitos, as coisas vão melhorar apenas na Copa do Mundo”, afirma Morgana.

Aplee's Night Club, casa noturna localizada no setro de indústrias e setor de hotéis em Brasília
Eduarda, outra profissional do sexo com a qual o iG manteve contato, também revelou animação com o encontro de Prefeitos. “É um período que dá para faturar fácil. Muitos prefeitos aproveitam para fazer em Brasília o que não podem fazer em casa”, admite ela, funcionária de uma casa noturna. “Mas é bom ficar de olho. Muitos deles (clientes) são muito discretos, hoje tem muita mídia em cima”, acrescenta ela. “Tá parecendo pescaria, nem dá tempo de sair do táxi que alguém já fisga. Tá demais essa Brasília”, ilustrou um deputado da base governista sobre a agitação do mercado do sexo durante esta semana.

O preço do programa varia bastante, dependendo do perfil da prostituta e do local da abordagem. Em geral os valores giram entre R$ 200 e R$ 500 em alguns dos pontos visitados pela reportagem, mas o movimento ajuda a puxar os preços. Uma das garotas conta que conseguiu subir o valor para R$ 1 mil.

Concorrência das forasteiras

A demanda incomum que gera disputa entre as garotas de Brasília atrai também profissionais de fora da capital federal. Na Alfa Pub, que fica na região central de Brasília, um dos funcionários revela que a notícia a respeito do Encontro de Prefeitos atrai garotas que trabalham em Goiânia, mas que não hesitam em percorrer os cerca de 200 quilômetros que separam a cidade de Brasília para faturar um extra. A chegada das goianas acirra a concorrência, mas os clientes não reclamam do aumento da oferta. A reportagem presenciou a animação de prefeitos que chegavam ao local. Inicialmente tímidos, eles logo entravam no clima.

Mas o movimento incomum e tudo aquilo que a clientela de fora da cidade traz atrapalha o mercado, na opinião de algumas garotas de programa. É a opinião de Camille, por exemplo, que forneceu cartão para reportagem perto do Alfa. “Muitos políticos vêm de lugares que não têm muitos recursos financeiros. Eles vêm justamente atrás de verbas e não têm muito dinheiro para gastar com garota de programa e isso acaba tumultuando. Talvez a presença deles seja boa para aquelas que cobram mais barato, para mim não”, diz ela.

Funcionários da casa noturna Apple’s, uma das principais de Brasília, admitiram que a movimentação atípica não mexe somente no quadro de garotas disponíveis, mas também cobra uma atenção especial com o bar. Em dias como terça-feira, por exemplo, o movimento foi comparado ao entra e sai dos finais de semana, quando o trânsito de clientes é maior. A boate preparou seu estoque de bebidas com essa previsão.

Taxistas também ficaram animados com a possibilidade de um lucro a mais com o encontro de prefeitos. Eles admitiram ao iG que recebem R$ 50 das boates para cada político que eles conseguem levar para as casas de strip-tease. Um taxista que preferiu não se identificar admitiu que somente na noite da última terça-feira, levou seis prefeitos a uma casa de strip-tease.

Dentro das boates, a movimentação foi intensa na última terça-feira. Na Apple´s Night Club, o iG conseguiu identificar pelo menos 30 prefeitos de cidades do Ceará, Santa Catarina, Acre, Paraíba e Piauí. Por volta das 23h20, por exemplo, chegou na Apple’s, de uma só vez, uma comitiva com cinco prefeitos cearenses em busca de diversão. Havia petistas, pemedebistas e petebistas entre os prefeitos identificados.

A rede hoteleira, superlotada, também viveu dias atípicos. A movimentação das prostitutas chamavam a atenção até mesmo os funcionários, acostumados com o assedio das profissionais do sexo a alguns clientes. Houve até quem relatasse ter sido abordado nos corredores de um hotel de luxo. “O senhor é prefeito?”, perguntou uma prostituta a um dirigente partidário que estava apenas de passagem por Brasília na quarta-feira e se hospedou num hotel de luxo da capital.

A proximidade do setor hoteleiro é uma vantagem da Alfa Pub. A entrada do bar, que não passa de um salão tosco com mesas e um balcão sem um pingo de glamour, fica a menos de 50 metros da entrada de um hotel. Algumas profissionais se revezam entre o bar, no qual pagam R$ 40 de entrada, e as adjacências. Muitas conseguem emplacar um programa atraindo clientes do hotel. As meninas que fazem ponto no bar enfrentam ainda a concorrência de colegas que atuam do lado de fora.

Além das prostitutas que trabalham na rua, muitas fazem ronda, dentro do carro. Distribuem cartões e fazem ofertas aos transeuntes. Algumas roubam clientes do bar esbanjando simpatia e sensualidade e fecham o programa com clientes que estão a caminho do Alfa, mas, seduzidos no caminho, desistem do bar e vão direto ao que interessa.

  
Apesar do crescimento notado pelos profissionais que trabalham nas boates, alguns admitem que já houve dias melhores. Funcionário do Star Night, casa que a exemplo do Alfa Pub funciona como ponto de encontro, admite que o assédio da mídia e reportagens que falam sobre a orgia dos políticos na capital provocaram a desconfiança geral. Muitos preferem usar portais especializados em oferecer o serviço de garotas de programa a ter de comparecer a uma boate.

A disseminação de celulares com câmera também contribuiu para aumentar o receio dos prefeitos. “Hoje em dia, qualquer um saca o celular e faz uma foto. Eles ficam com medo”, diz um funcionário da Star Night. Segundo o mesmo funcionário, esse tipo de coisa relativizou o crescimento do movimento em algumas casas, sobretudo as menores e aquelas que, ao contrário da Apple’s, não oferecem nenhum diferencial, como shows de strip-tease. Além disso, a expectativa em torno da Copa do Mundo deixou todo o mercado relativamente preparado. E a Copa das Confederações funcionou como laboratório para os proprietários.

A internet só não consegue suprir o desejo dos grupos que, além de sexo, procuram um ambiente para farrear ao lado de garotas de programa em confraternizações regadas a muito álcool. Um garçom do Alfa Pub conta que os grupos esvaziam garrafas de uísque com uma velocidade que chama atenção até dos consumidores mais assíduos. “Em meia hora eles acabam com uma garrafa de uísque”, diz o garçom. A garrafa do scotch mais barato, envelhecido 8 anos, sai por R$ 500, mas se escolher bebericar em doses a mesma quantia custa R$ 720. O mesmo uísque é vendido em mercados da cidade por R$ 80. Na Apple’s, uma lata de cerveja chega a custar R$ 25, a mesma cerveja é vendia a R$ 2 em mercados de Brasília. A caipirinha feita com vodka é vendida por R$ 45.


Fonte: IG

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