quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O fim dos homens e a ascensão das mulheres



"Para que as mulheres sejam “bem-sucedidas” em nossa sociedade, uma das coisas mais difíceis que elas têm que fazer é resistir às influências e às pressões das normas sociais (como a pressão de se preocupar mais com as questões domésticas do que os homens). Isso requer um esforço tremendo."

"Eu sempre acreditei que as mulheres se sacrificam mais do que os homens. As mulheres são, muitas vezes, estereotipadas como sendo sensíveis, mas esse não é necessariamente o melhor atributo para entrar em um jogo onde as regras são definidas principalmente pelos homens."


Recentemente, o blog Freakonomics solicitou aos leitores que enviassem perguntas para Hanna Rosin, autora do novo livro “The End of Men (and the Rise of Women)” (O Fim dos Homens – e a Ascensão das Mulheres, em tradução livre). Aqui, agora, estão algumas de suas respostas.
  
Você poderia compartilhar suas ideias sobre como as mulheres são afetadas por configurações sociais tendenciosas e por estereótipos? Quais são suas sugestões para que joguemos fora todas essas amarras aparentemente naturais?
 
As pesquisas respaldam o que você está dizendo. Em muitos estudos feitos em laboratório, as mulheres são penalizadas por serem muito agressivas e diretas – ou até mesmo por não serem prestativas. Pesquisadores da Universidade de Nova York distribuíram duas avaliações descrevendo dois candidatos diferentes, que eram considerados funcionários “fora de série” de uma empresa do setor aeronáutico. As avaliações dos dois eram idênticas, mas um candidato foi chamado de “Andrea” e o outro, de “James”. Os participantes da pesquisa consideraram Andrea menos atraente e menos merecedora de uma promoção. Eles presumiram que, devido ao fato de ser mulher, ela provavelmente deve ter feito coisas bastante desagradáveis para chegar à posição em que se encontrava em uma área de atividade dominada por homens.
 
E isso é muito deprimente. Mas há uma boa notícia. Alguns pesquisadores da Harvard Kennedy School retornaram a essa questão no ano passado e tentaram descobrir como as mulheres podem contornar esse problema. O pensamento é o seguinte: atualmente estamos em um momento de transição, no qual muito mais mulheres estão qualificadas e preparadas para avançar para a alta gerência. Mas ainda há uma suspeita cultural em relação às mulheres excessivamente dominantes. Então, como podemos contornar isso? Em meu livro eu falo sobre as conclusões dos pesquisadores de Harvard. Em resumo, eles pensaram em algumas fórmulas úteis que poderiam ajudar as mulheres a se defender, mas não desencadeariam reações negativas. Esse tipo de especificidade, de equilíbrio delicado, é irritante. Mas ele realmente funciona. Você vai ter que ler o livro para saber mais detalhes!
 
Será que algumas de nossas posições a respeito da dinâmica entre os gêneros mudaram depois de observarmos as consequências da crise financeira, na qual a segunda onda de demissões parece ter afetado as funcionárias públicas em sua maioria? Eu conheço várias professoras que, ou foram demitidas, ou não são passíveis de serem recontratadas devido ao desemprego estrutural.
 
Essa é uma boa questão. As mulheres foram mais fortemente impactadas pelos recentes cortes no setor público porque um número maior delas trabalha no setor público – especialmente como professoras. Mas isso não altera a tendência de longo prazo. Apesar da retórica republicana, o governo dos Estados Unidos tem experimentado um crescimento constante ao longo das últimas décadas, enquanto o setor manufatureiro vem passando por uma retração constante. As mulheres ainda dominam 12 das 15 principais ocupações destinadas a crescer nos próximos anos, segundo estimativas.
 
Em que medida você acredita que o número crescente de mulheres na força de trabalho tem contribuído para a pressão sobre os salários? Será que atualmente é muito mais difícil que uma família seja sustentada por um único assalariado – seja ele homem ou mulher – do que foi para as gerações anteriores? Será que algo deveria ser feito para mudar esse quadro? Em caso positivo, o quê deveria ser feito?
 
Essa é uma excelente pergunta. As mulheres tendem a receber menos do que os homens. E vários setores dominados por mulheres, que estão posicionados na parte inferior da hierarquia econômica, não oferecem postos de trabalho bem remunerados. Mas eu não tenho certeza se isso acabou por reduzir os salários em geral, para homens e mulheres. Se alguém aí conhece algum bom estudo a respeito desse tema, por favor me envie.
 
Eu não li o seu livro. Mas li trechos que foram publicados recentemente na The New York Times Magazine, nos quais você argumenta que as mulheres se adaptaram melhor à realidade de nossa economia global, pois, em muitos casos, elas começaram suas carreiras sem grandes expectativas e estavam mais dispostas a se adaptar quando necessário. Em alguns aspectos, especialmente para aqueles profissionais posicionados mais abaixo na hierarquia econômica, a situação se inverteu atualmente. Então, o que você acha que ocorrerá com a próxima geração? Será que os jovens rapazes de hoje serão tão versáteis quanto as jovens mulheres eram duas ou três décadas atrás? Será que as jovens mulheres de hoje permitirão que suas carreiras e ambições as definam, o que as tornará avessas a se adaptar caso sejam obrigadas a reduzir seus padrões?
 
Eu costumo acreditar, geralmente, que muitas dessas mudanças têm a ver com circunstâncias históricas e não, digamos, com qualidades inatas. Parte do motivo pelo qual as mulheres estão se adaptando é porque elas foram marginalizadas – e os marginalizados tendem a ser mais flexíveis e adaptáveis. Com frequência eu penso nos homens após a Segunda Guerra Mundial, que voltavam para os EUA desesperados para se restabelecer, que foram beneficiados pela “GI Bill” (conjunto de leis que oferecia aos veteranos norte-americanos qualificados — e que estiveram em serviço ativo nas forças combatentes por, pelo menos, 90 dias sem punição ou falta grave — quatro maneiras de aprimorar suas condições socioeconômicas quando retornassem aos EUA) e correram para se reinserir na economia. O modo mais mesquinho de colocar esse movimento é: privilégios patriarcais te deixam preguiçoso. Mas os homens abriram seu caminho com rapidez antes – e eles certamente o farão de novo. Pelo menos assim eu espero.

Fonte: UOL

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