segunda-feira, 29 de junho de 2015

O fotográfo Antônio Emygdio retrata imigrantes haitianos recém chegados a São Paulo


“Tentei retratar esses imigrantes de forma digna, bonita, para que as pessoas pudessem olhar em seus olhos e reconhecerem os seres humanos que são, buscando uma qualidade de vida melhor”, disse o fotógrafo, que também tinha o intuito de aproximá-los dos brasileiros, que em sua maioria são descendentes de imigrantes e diariamente buscam o melhor para si e para a família.


Antônio Emygdio, 36 anos, visitou a Paróquia Nossa Senhora da Paz durante uma semana inteira e não foi por devoção cristã. Seu propósito era o de fotografar imigrantes que, recém-chegados à cidade de São Paulo, procuraram abrigo no templo.

Ao todo, o fotógrafo retratou cerca de 40 imigrantes de países como Peru, Bolívia, Colômbia, e principalmente Haiti, com o auxílio do fotojornalista da Agência Magnum, Moises Saman, que, dentre seus trabalhos, tem uma série de fotografias do Haiti após o terremoto de 2010. Os retratos feitos por Emygdio remetem à foto de um passaporte: “é essa identidade que eles carregam, é a única coisa que eles têm que os identifique”. Depois de fotografadas, as pessoas recebiam uma cópia impressa da imagem.

Ele contou que iniciou a aproximação com os recém-chegados conversando sobre suas trajetórias e surpreendeu-se. “Eu perguntava de onde eles eram e percebi que muitos tinham ensino superior em turismo, design, tinham eletricistas, não eram só trabalhadores braçais como muitos acreditam. E eles falam vários idiomas, como inglês, espanhol, francês e estavam aprendendo português”.

Uma das histórias marcantes foi a de um senhor vindo da Colômbia fugindo das FARC, que tinham assassinado toda sua família. “Ele já estava no Brasil há anos, vivia na rua, e com ele descobri que a falta de água potável, por vezes, é um problema maior do que a falta de comida”.

Mas o que mais chamou a atenção do fotógrafo foi o otimismo desses imigrantes. “Eles são muito esperançosos, vieram para construir uma vida nova e querem começar a trabalhar logo, deixando para trás a vida de miséria que levavam”.


Ele contou que nenhum dos imigrantes chegou a pedir dinheiro, mas queriam um emprego e contatos. “Senti a maior frustração em não poder ajudar mais do que divulgar as fotos e chamar atenção para a causa, resgatando a humanidade dessas pessoas, que não são meramente ‘dezenas de imigrantes que chegaram a São Paulo’”.
Os retratos realizados estão em exposição na 6ª Mostra SP de Fotografia da DOC Galeria, espalhados por postes nas ruas da Vila Madalena.


Fonte: Geledes

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